quarta-feira, 31 de março de 2010

Chinatown, Africa

A reportagem «Chinatown, Africa», que aborda a investida chinesa em Angola, será transmitida esta madrugada (1 de Abril), às 2h00, pela SIC Notícias.

Pode também ser vista aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vai faltar a maaassa!


Abrir uma torneira, não haver água e reagir com indiferença não é uma situação nova para quem viveu em Lisboa... no início da década de 80. Na verdade não me recordo – que diabo, na altura ainda tinha dentes de leite! –, mas recordo-me de ver lá em casa os dois bidões que os meus pais compraram para contornar a situação na altura. Com uma ressalva: aquela falta de água foi provocada por um boicote levado a cabo pelo Movimento FP25. De um modo geral, há décadas que abrir uma torneira nos centros urbanos lusos e só sair ar é uma situação pontual.
Lembro-me também de um tio meu, salvo erro numa noite de 1982 em que lhe apeteceu fazer uma piada, ter gritado para toda a rua ouvir «vai faltar a ááágua!», o que fez a minha mãe temer que o tomassem por membro daquele movimento. Ah, a doce irreverência dos 30 e poucos anos... :D
Agora é a minha vez de apregoar algo do género, não em relação à água, mas à massa. Não me refiro a carcanhol, graveto, pilim, cheta – essa já cá faltou há meses. Trata-se daquela que os nossos amigos italianos popularizaram, e sem a qual a diversidade da dieta alimentar em Angola, que não é a maior do mundo, fica um pouco mais comprometida.
O meu ponto de vista baseia-se no TRSA, Teorema da Ruptura de Stocks em Angola. Diz esta teoria que «todo o produto transportado pelos canais de distribuição é passível de esgotar por um período indeterminado, devido a complicações na logística nacional». Exemplos desta afirmação são os dísticos da taxa de circulação automóvel esgotados durante mais de metade do período em que deviam ser adquiridos pelos proprietários, sobretudo os do escalão mais baixo (sem comentários...), as cadeiras para bebés esgotadas durante o período de entrada em vigor do código da estrada em Abril de 2009 (idem), e casos avulso de diversos produtos alimentares mais ou menos banais, como atum em lata (que há uns meses atrás deixou de cumprir o seu dever de assiduidade nas prateleiras de inúmeras superfícies comerciais), natas em pacote (idem, mais recentemente) ou cogumelos de conserva (outro fenómeno de absentismo, desde há 5 ou 6 semanas).
Ninguém me tira da cabeça que estes episódios são uma cabala organizada pelos senhores do Porto de Luanda, certamente pertencentes à Confraria do Funge, contra a massa de atum! Estou certo que mais cedo ou mais tarde vamos assistir a uma ruptura nos stocks de cotovelos, espirais e esparguete. Escrevam isto.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Boas novas


Após meses sem publicar nada, trago um anúncio. Não é uma novidade para a família, nem para os amigos, nem para o pessoal da empresa que irá ter a oportunidade de mostrar o seu valor, mas é-o para quem só “contacta” connosco através do blog, e creio que é uma boa notícia para todas as partes: já está marcada a nossa saída definitiva de Angola. A da Paula, antes do Natal. Eu regressarei após as férias por mais dois meses, para que a sucessão fique completamente preparada. A pedido da dona da empresa, frise-se.
Para trás, fica o sentimento de missão cumprida, de ter contribuído um pouco para continuar a evolução de uma empresa angolana pequena e jovem. Ficam recordações de falhas em aspectos básicos provocadas por displicência, de complicações provocadas por jogos de interesses, de uma sociedade anárquica e pouco ou nada coesa, de stress constante. Mas ficam também pessoas que gostaríamos de levar connosco, para não termos de dizer «adeus». Principalmente a Lúcia e o Xavier. Que eles, as outras Lúcias e os outros Xavieres de Angola contribuam para melhorar o país. Devagarinho, que são poucos a remar para o sítio certo, e quase todos a remarem para o lado que interessa ao seu próprio umbigo.
E que um dia nos possamos reencontrar. De preferência, num país diferente.

domingo, 9 de agosto de 2009

Hillary Clinton em Angola


Angola Press:

«Unita congratula-se com a visita de Hillary Clinton a Angola»
«Barack Obama satisfeito com incremento de relações EUA-Angola»
«Hillary Clinton reconhece clarividência do Governo angolano»
«Hillary Clinton pouco interessada com o que outros fazem em Angola»
«Assunção dos Anjos realça estratégias na utilização das receitas petrolíferas»
«Angola espera cooperação frutuosa com os Estados Unidos »
«Angola e EUA manifestam interesse em reforçar a cooperação bilateral»
«EUA interessados em fornecer assistência»
«Angola promete continuar contribuir para a paz e promoção do diálogo»

TSF:
«Hillary Clinton inicia este domingo uma visita a Luanda, sendo que a questão dos combustíveis deverá ocupar um espaço importante na agenda oficial. Mas à margem desta visita, a Associação Mãos Livres «pede» à chefe da diplomacia norte-americana para não se esquecer de levantar a questão dos direitos humanos.»

AFP:
«Hillary Clinton pede eleições presidenciais livres em Angola»

Público:
«Clinton diz que presidenciais em Angola não devem ser adiadas»

RTP:
«Human Rights Watch espera que Hillary Clinton não esqueça os Direitos Humanos na visita a Angola»

Expresso:
«Carta aberta alerta Clinton para "corrupção, má governação e violação de direitos humanos"
Os economistas angolanos Justino Pinto de Andrade e Filomeno Vieira Lopes são dois dos signatários de uma carta aberta à secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, hoje divulgada, alertando para a "corrupção, má governação e violação de direitos humanos" em Angola.»

sábado, 8 de agosto de 2009

Elevar os padrõezinhos


Quando viemos para Angola já sabíamos que não íamos mudar o país. Provavelmente nem temos o direito de exigir que alguma coisa seja mudada. Somos estrangeiros, temos outros hábitos, a nossa obrigação deverá ser adaptarmo-nos. Em Portugal também não aceitaria deparar-me com motas em contramão, encontrar montes de latas e garrafas de cerveja partidas, ou ser impedido de dormir por festas barulhentas.

Isto não implica que, tendo percebido que os meninos com quem trabalhamos não estão nivelados pela média mwangolé, desperdicemos oportunidades para comparar os quotidianos dos dois países, não pela via do bota-abaixo do país deles, mas para lhes aguçar a exigência por mais qualidade de vida.

Recentemente, foram eles próprios que puxaram o assunto da economia e ecologia. A Lúcia comentava que os primos que estão em Portugal e vieram passar umas semanas a casa dela entraram em choque com o desperdício de electricidade e de sacos de plástico; o Carlos absorvia atento os nossos relatos sobre a separação de lixos, utilização de lâmpadas economizadoras, desenvolvimento de tecnologias que permitem ter automóveis menos gastadores e poluentes, aumento da produção de electricidade a partir da energia solar e eólica, e concluiu que Angola poderá, daqui a alguns anos, não ter a quem vender petróleo. Daí saltámos para a necessidade de desenvolver a agricultura, o turismo e a produção alimentar e tecnológica, para diminuir a dependência da economia do país de uma indústria suja e que, felizmente, acabou de entrar em decadência. O João, ao ouvir falar em redutores de caudal nas torneiras e em desligar luzes quando não são necessárias, comentou que a filosofia que se vive por cá é «paguei, tenho o direito de esbanjar», bem diferente da nossa preocupação colectiva. E todos acharam graça quando comentei que uma tarde sem multibanco ou sem electricidade nos arredores de Lisboa é notícia de jornal.

São apenas três jovens, de um universo de 5 milhões de pessoas que se amontoam numa cidade cuja população aumentou 900% em 35 anos. Uma população que, na sua maioria, acha normal que falte a água e a luz várias vezes por semana, não tem serviços de saúde dignos, mas para quem desde que tenham um um carro com jantes cromadas e gasolina subsidiada pelo Estado, cerveja barata, festa ao fim-de-semana e o telemóvel da moda (mesmo que não consigam fazer chamadas porque a rede não funciona), está tudo bem.

A propósito das faltas de luz: eu até aceito que tenha faltado a luz no domingo passado e neste sábado (antes isso do que dia-sim-dia-sim, como no Cassenda); o que me lixa é que falte durante 18 horas de cada vez porque os senhores da manutenção da EDEL estão a curtir as Cucas que beberam na festa da madrugada anterior.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Campeonato Provincial de Contornanço de Obstáculos


E agora, a nossa reportagem do desporto automóvel.

Terminou ontem mais uma etapa a contar para o Campeonato Provincial de Trial, disputado no traçado da Rua da Administração, no Bairro do Cassenda, preparada para o efeito pelas obras decorridas entre Fevereiro e Abril deste ano. Ao longo de duas semanas, registou-se mais de uma centena de milhar de participantes, nas classes TT e ligeiro, que, com bastante mestria, contornaram obstáculos de grau de dificuldade elevado a muito elevado, entre os quais buracos de grande diâmetro e profundidade assinalável provocados pelo desgaste do pavimento de terra aplicado há 3 meses, terminando a recta da meta com uma série de quatro caixas de visita sem tampa. Todos os inscritos receberam prémios “Kms extra para a vida útil dos amortecedores”, de valor proporcional à qualidade do percurso escolhido. O vereador do pelouro dos Desportos Motorizados da Administração Municipal da Maianga, em declarações à nossa reportagem, enalteceu o sucesso da iniciativa, cuja adesão do público e participantes excedeu as expectativas, ultrapassando o mediatismo do Campeonato de Decibeis em Motorizada. A via foi agora novamente cortada por tempo indeterminado, prosseguindo o Campeonato noutro local.


Por hoje é tudo. Não percam brevemente uma nova reportagem de outra categoria do desporto automóvel, «Campeonato Nacional de Esquivanço às Multas por Pretextos Forçados pela Polícia de Trânsito».

Adendas


Adenda ao post Um futuro brilhante:

Como é que me esqueci de referir o mítico «não há sistema»? Falha imperdoável da minha parte. Em menos de uma semana ouvi essa resposta nas agências de dois bancos diferentes.

Adenda ao post sobre Massangano:

O caro PDavid trouxe-nos (creio que da wikipédia) informação de interesse histórico sobre esta povoação e sobre Paulo Dias de Novais. Vale a pena ler, para conhecer mais um pouco.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A 3 velocidades


Tendo em conta o que escrevi ontem sobre a agilidade com os processos decorrem em Angola, é possível que com o post de hoje eu vos pareça incoerente.

Quando cheguei a Angola, trabalhava 10 a 11 horas por dia, 7 dias por semana. Emagreci, enervei-me, ouvi família, amigos e colegas a trazer-me à razão. Cansado de estar a 200% num país onde a maior parte das pessoas não quer estar nem a 50%, fui reduzindo gradualmente o ritmo para níveis normais, ainda acima da média, mas sem esquecer que antes do trabalho está a saúde.

Há algumas semanas ri-me com imensa satisfação quando li uma opinião tuga, segundo a qual um comercial tem de ter o telemóvel ligado 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ridículo, estúpido, e tremendamente absurdo. Não há situação absolutamente nenhuma que justifique esta disponibilidade. Deixem-se de cenários hollywoodescos: as empresas e organismos públicos da vida real não são a CTU nem os seus intervenientes são Jack Bauers. E mesmo o outro tuga que há uns meses estava todo vaidoso a mostrar-me o iPhone com o qual podia responder a mails do trabalho a qualquer hora do dia, por mais que uma vez demorou dias a responder aos meus. Isto de dizer que se faz é muito giro, cumprir é que é lixado…

Ontem, à hora de jantar, recebi 5 telefonemas no telemóvel do trabalho. Recusei-me a atender. Podia estar a ver televisão, a fazer o chamado amor, ou a fazer uma banalidade qualquer como cortar as unhas dos pés, era um direito meu. Era o meu horário de descanso, caramba. Esta manhã, às 7h30, começou mais uma série de 5. Devolvi a chamada quando cheguei à empresa. Era um estrangeiro em Luanda (obviamente!), que precisava de um documento com urgência (claro!). Mas de onde é que esta alminha tirou a ideia que eu lhe ia arranjar o documento entre as oito e as nove da noite?! E mesmo que o fizesse, o que raio ia ele adiantar àquela hora?!

Num país onde eu e os meus colegas temos envelhecido a tentar, durante as horas normais de trabalho, que os locais nos deixem de levantar entraves, e onde situações que deviam resolver-se numa semana se arrastam durante meses (chegou ontem ao escritório uma encomenda paga em DEZEMBRO, o que é completamente inconcebível!!!), há quem nos cobre soluções a horas que, perdoem-me a repetição do adjectivo, são absurdas.

Ou, como nos disse o nosso antecessor quando chegámos: aqui, o que é urgente demora imenso tempo, e o que não é urgente demora uma eternidade. Mas quando te pedem uma coisa, é para há três meses atrás.

Esta terra pifa os fusíveis à malta.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um futuro brilhante


Num banco (cujo nome não vou dizer).
O meu colega, depois de esperar a sua vez na fila: - Bom dia. Venho pagar a televisão por satélite.
[NDR: e começarem a permitir o pagamento desta treta por ATM, hein? Isso é que era!]
Funcionário do banco: - Não vai ser possível, acabaram-se os impressos da DSTV.
O meu colega: - Então e agora?
Funcionário do banco: - Volte cá amanhã.

Noutro banco (cujo nome também não vou dizer).
Nós: - Bom dia. O nosso cartão multicaixa expirou a validade, vínhamos pedir um novo.
[NDR: e começarem a enviar o cartão por correio? Ah, espera, para isso era preciso que os correios funcionassem.]
Funcionária do banco: - Não vai ser possível, acabaram-se os cartões.
Nós: - Então e agora?
Funcionária do banco: - Voltem cá amanhã.

Numa companhia de seguros (cujo nome... adivinhem).
O meu colega: - Bom dia. Venho buscar o recibo da apólice do seguro da viatura da empresa.
[NDR: e aceitarem pagamento por ATM e emitirem o recibo no momento? já nem falo em enviarem por carta]
Funcionário da companhia de seguros: - Não vai ser possível, o chefe não está.
O meu colega: - Como, não vai ser possível?
Funcionário da companhia de seguros: - O chefe viajou.
O meu colega: - Então e não há mais ninguém aqui que possa emitir um simples recibo?
Funcionário da companhia de seguros: - Não, tem de ser o chefe, e ele está incomodado.
O meu colega: - Então mas viajou ou está doente?
Funcionário da companhia de seguros: - Não sei, mas é melhor vir cá amanhã.

Numa qualquer repartição pública:
- Bom dia, eu venho tratar de um assunto qualquer.
- Não vai ser possível, porque lhe falta o comprovativo, a declaração, a fotocópia autenticada da certidão, ou o chefe foi almoçar.
- Mas são 10 da manhã.
- Então volte amanhã.

Está visto que tudo vai ser resolvido amanhã. Auguro um futuro brilhante. A produtividade só pode aumentar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Cacimbo... ou fim do estado de graça?


Nas minhas últimas férias, logo um ou dois dias depois de chegar a Portugal, surgiu-me a ideia de aparecer de surpresa na loja do nosso amigo Lopes. Foi também a oportunidade para reencontrar a mãe dele, que já não me via há mais de um ano, e me recebeu como nos recebem as mães dos nossos amigos quando nos reencontramos após uma longa temporada, sobretudo se nos mudamos para longe.

- Então filho? Como é que estás? Estás a adaptar-te lá a Angola?
- Bem... cada vez menos...

A minha confissão arrancou umas gargalhadas, mas era a mais pura das verdades. Há uns tempos atrás, a M.Jo atribuiu ao tecto encoberto e cinzento do cacimbo, os olhos “menos optimistas” com que o Afonso e o Júnior têm visto Angola recentemente. É uma visão poética, mas a realidade é mais fria, à semelhança do que o João Marcelo conta de Cabo Verde: passado o efeito novidade, dilui-se a tolerância quanto aos vícios desta sociedade tão diferente.

O problema não está nos polícias a inventarem os pretextos mais mirabolantes para se fazerem à gasosa; não está na espera desesperante pela chegada de equipamentos para as empresas; nem no gajo que vem na contramão a furar a fila de trânsito e de quem temos de nos desviar; nem na terceira substituição desnecessária do separador central da Avenida Revolução de Outubro em apenas um ano; nem nas obras de saneamento que cortam uma rua durante dois meses e que a deixaram na mesma com água dia-sim-dia-não, piso em terra e ainda acrescentaram três caixas de visita sem tampa; nem na péssima relação qualidade/preço prestada pela maior parte dos fornecedores de serviços. No fundo, é uma soma disto tudo e mais algumas coisas.

Não faltará quem sugira que ninguém está aqui obrigado e que o regresso ao país de origem é sempre uma opção. E, de facto, mais cedo ou mais tarde, o desfecho para a maior parte dos estrangeiros acaba por ser este. Existem excepções, obviamente, como a do português na casa dos 50, que se sente mais em casa em Angola do que em Portugal. Isto, apesar de um dia, há 15 anos, ter chegado com alguns colegas a uma casa na província, e ter encontrado dois ovos e nenhum sítio onde comprar mantimentos.

Quem voltar a casa depois de uma temporada em Angola terá a sensação de que cumpriu o seu dever o melhor possível, recebeu a sua recompensa, e regressará para a realidade em que formou a sua personalidade e a que está habituado. Quem fica, poderá ter estádios novos (se ficarem concluídos a tempo), arranha-céus novos, mas o dia-a-dia continuará o mesmo por mais umas décadas.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A s(h)aga do xixi


Uma semana perfeitamente normal...

> 6ª feira, 12 de Junho

Deixámos de poder usar as duas sanitas da única casa-de-banho da empresa, porque o esgoto está entupido. O imóvel, cuja cave nos está arrendada, pertence a um organismo público, ao qual nos queixámos. O director está fora da província, e o responsável na sua ausência está demasiado ocupado para tomar conta da ocorrência, adiando a visita para 2ª feira. Até a situação estar resolvida, deixa-nos usar as casas de banho do andar de cima, que pertence ao mesmo organismo. Como a cavalo emprestado não se olha o dente, fiz por ignorar o aspecto pouco asseado daquelas instalações de recurso, mas os nossos colaboradores angolanos dispensaram a oferta: os homens preferiram o contacto com a natureza, num muro no quintal com um mínimo de privacidade, as senhoras passaram o dia a contorcer-se na cadeira com dores na bexiga.

> 2ª feira, 15 de Junho

O substituto do director desceu ao nosso andar, viu a casa-de-banho, opinou que será necessário abrir uma caixa de visita no nosso escritório para desentupir o esgoto, e voltou para os seus afazeres inadiáveis, sem dizer quem se mexeria para resolver o problema (o proprietário ou o inquilino), e muito menos quando. Disse apenas que as despesas serão por conta do inquilino, como em qualquer situação de arrendamentos de imóveis.

E eu acrescento: em arrendamentos de imóveis, e em qualquer situação em que fulano é prejudicado e beltrano seria responsável. Se beltrano não é prejudicado, o problema não é dele, e assim nasce a a «Teoria Angolana de Resolução de Problemas».

A dona da nossa empresa, angolana que conhece metade da população e não tem paciência para a pachorrice da outra metade, agarrou num dos seus três telemóveis e em minutos tinha agendado a visita de uma empresa para as 8 horas da manhã seguinte, frisando a necessidade de trazer picaretas.

As senhoras continuam a dançar, nas cadeiras, a dança do xixi.

> 3ª feira, 16 de Junho

A equipa de desentupimento foi até bastante pontual para os padrões angolanos... chegou às 10 e picos. Só não trouxeram as picaretas. Opinaram que a caixa de visita das sanitas não estaria no interior do edifício, mas nas imediações. Lá andaram meia-hora para trás e para a frente, com o responsável-na-ausência-do-director, abriram as caixas no exterior, e concluíram que não eram as que interessavam. As atenções voltaram a centrar-se na caixa do interior. A equipa, sem picaretas, foi-se embora sem ter resolvido nada.

Encontraram-se uns homens para abrir a caixa de visita. Afinal não era aquela, toca a tapá-la outra vez. Onde estão as plantas de infra-estruturas do edifício? No cofre do gabinete do director, que está ausente de Luanda.

Tentámos então usar soda cáustica. Não resolveu.

As senhoras da empresa continuam a dançar, nas cadeiras, a dança do xixi.

> 4ª feira, 17 de Junho

A dona da empresa contactou o director do organismo proprietário do edifício, que entretanto regressou a Luanda mas estava numa conferência, por isso não podia falar no momento. Ficou de lhe devolver a chamada quando pudesse. Obviamente não o fez,... Mas, já de regresso ao gabinete, lá abriu o cofre para nos ceder as plantas. São apenas os esquemas de paredes, sem as canalizações, iguais às que tínhamos em nosso poder. Deixem-me frisar bem: um organismo público proprietário de um imóvel não sabe onde estão as plantas de infra-estruturas do mesmo. Impressionante? Não, normalíssimo.

Arranjaram-se dois rapazes para outra abordagem: desmontar as sanitas e enfiar cabos de aço pelos canos, tentando empurrar os detritos que estivessem a provocar o entupimento. Não resultou. Sugeriram tirar-se um azulejo da casa-de-banho e voltar a tentar com o cabo. Não resultou. E ainda abrir num terceiro ponto do escritório, em plena sala de reuniões. O resultado foi... já se sabe.

Como a dona da empresa tem outros negócios, as suas passagens pelo nosso escritório são na melhor das hipóteses semanais, e nunca muito demoradas. A segunda gerente está de licença de parto, logo a direcção tem estado entregue a mim. Eu, que sou técnico por convicção e comercial por necessidade, desde que este fado começou sou interrompido de 30 em 30 minutos para tomar decisões sobre canos. Tem dado para trabalhar imenso...

E adivinhem qual é a dança que está no top da nossa pista!

> 5ª feira, 18 de Junho

Visto que, se depender do proprietário do imóvel, irão passar-se semanas até podermos voltar a usar as sanitas, optei por uma abordagem diferente: já que não há uma solução para o problema, ao menos minimizo as consequências. Isto é, consultei a sócia maioritária para adquirirmos uma casa-de-banho “portátil”, daquelas que costuma haver nas obras, e dar um ar mais digno às escapadelas para o quintal.

Ok, luz verde. Deu ordem ao nosso motorista que contactasse um fornecedor. Contactou-se um, dois, três, sei lá quantos. Não têm e não sabem quem mais poderá ter.

E pronto, amanhã de manhã completa-se uma semana sem casa de banho numa empresa cuja filosofia é bastante diferente do laissez faire, laissez passer nacional, mas que está condicionada pelo ambiente. Uma semana em que, apesar de todas as tentativas e iniciativas, não se conseguiu resolver pôrra nenhuma. E isto é apenas uma imagem muito pequena do novelo de chatices e complicações em que estão enredados uns quantos milhões de pessoas neste quadrado, uns por má vontade dos outros.

Quando situações desta natureza acontecem, dá vontade de inverter o sentido da Teoria Angolana de Resolução de Problemas (os esgotos do edifício têm problemas? Que tal mudarmo-nos para outro escritório e deixar o proprietário do primeiro com os esgotos por reparar e ainda com o bónus de 3 buracos mal tapados?). Infelizmente não é solução, porque em qualquer imóvel desta cidade haverá problemas de manutenção, necessidade de obras que em qualquer outra parte do mundo seriam banais mas que aqui são uma dor de cabeça, com pessoal não qualificado que improvisa constantemente, material que demora horas ou mesmo dias para aparecer, etc. A única excepção são, talvez, os edifícios de escritórios modernaços e (ainda mais) caros. Os que não são feitos por chineses, claro.

Quanto às cenas dos próximos capítulos, posso assegurar-vos que não as vamos perder. Não temos escolha.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Não há dinheiro, não há palhaços


Ao longo de um ano, já perdemos a conta às vezes que ouvimos apregoar que Angola é um país rico, porque tem petróleo e diamantes. Será que neste momento o é?

Quase 3/5 do Produto Interno Bruto angolano assenta nestas indústrias. Mais precisamente 58% no petróleo e 1.5% nos diamantes. Isto é: os melhores amigos das raparigas são um chão que já deu uvas. Acabaram. Period.

Já o petróleo... tem aquela coisa chata das cotações variáveis. O ano passado chegou a roçar os 150 USD por barril, e o PIB cresceu uns impressionantes 16% relativamente ao exercício anterior. À boa maneira mwangolé, fizeram-se previsões optimistas, nas quais o Orçamento de Estado para 2009 se baseava. Azar do caraças, o preço do barril de crude desceu até pouco mais de um terço daquele valor recorde, e não parece estar a recuperar com grande agilidade. O FMI estima agora que o “crescimento económico” angolano em 2009 seja de… -3%!

No último mês ocorreu uma sucessão de factos curiosos. Primeiro, uma dança de cadeiras no Banco Nacional de Angola. A seguir, de um dia para o outro o câmbio Dólar – Kwanza variou de 75 para 82, para uma semana depois voltar a 75, e poucos dias mais tarde para 78. Quando estabilizou, reparou-se que à custa de transacções feitas neste período, as reservas do país tinham diminuído em 4 mil milhões de dólares. Com as finanças periclitantes como já não se via há anos, a partir de meados de Maio as transferências para o exterior ficaram limitadas a 5000 USD mensais por conta bancária. Segunda uma fonte ligada ao BIC, este limite já estava previsto por lei desde 1998, mas não era aplicado por laxismo. No Aeroporto, o limite baixou de 15’000 USD para 10’000 USD, com a garantia de revista para toda a gente.

A esta hora, um pouco por toda a Angola, grande parte dos 100’000 portugueses e mais uns quantos brasileiros (isto é, os que recebem cá) estão, com as respectivas entidades patronais, a desenrascar uma forma de contornar este problema. As regras em Angola são assim: são desencantadas de um dia para o outro, atropelam direitos, e logo os prejudicados dão corda aos neurónios à procura de uma forma de não o serem.

Há três desfechos possíveis para este episódio: ou se encontra a tal solução em cima do joelho, ou o BNA e revoga a sua medida ou, numa dúzia de semanas, uma fatia considerável da mão-de-obra qualificada estrangeira antecipará em massa o regresso a casa, pondo em causa a «reconstrução nacional». Como dizia o outro, «não há dinheiro, não há palhaços».

sábado, 30 de maio de 2009

Um passado quê?!


Recentemente a imprensa anunciou uma notícia positiva para a TAAG: os manuais dos aviões estão prestes a chegar e, com isto, em breve será retirada da lista negra das companhias aéreas, o que a permitirá voltar a operar directamente para a Europa. Imagino o que estão a pensar: «O quê, aqueles gajos não tinham os manuais dos próprios aviões?». Pois é, alguém os perdeu... Hilariante, não?

Durante estes dois anos, as ligações de Luanda para Lisboa e Paris foram realizadas nos Boeing 747-400 da South Africa Airways, pilotados por comandantes sul-africanos e com tripulações mista das duas companhias. Como não têm caído, decidimos experimentar. Quem não experimenta, não tem grande autoridade moral para fazer avaliações.

A primeira constatação é que o esquema de venda de bilhetes continua o mesmo. Não basta pagar a viagem, é obrigatório confirmar a intenção de usufruir da mesma 72 horas antes da partida, caso contrário a companhia considera que o cliente desistiu e vende o lugar a quem aparecer. Se, na hora de embarcar, ambos reclamarem os seus direitos, o primeiro comprador fica em terra. Ora aí está a prestação de serviços em Angola no seu melhor. Qualquer empresa europeia, com a concorrência a nivelar a qualidade por cima, consideraria que à primeira escandaleira de overbooking teria a imagem maculada. Mas, pelos vistos, por cá não é preciso haver grandes preocupações em fidelizar clientes.

A bordo, continuamos a não resistir a fazer comparações (se não era suposto, desculpem qualquer coisinha). O facto de metade da tripulação ser sul-africana não serve de justificação para que só saibam dizer duas palavras em português, «frango» e «pêche». Que diabo, numa ligação entre dois países lusófonos não devia ser necessário os passageiros bilingues servirem de tradutores! Uma ida ao WC evidencia um pouco mais a negligência com que os clientes da companhia são tratados: em quatro viagens (eu e a Paula viajámos em dias diferentes), por duas vezes não havia sabonete e noutra não havia água. As cadeiras desengonçadas e as avarias no sistema de video são os aspectos mais irrelevantes.

Depois, há os episódios que não acontecem todos os dias, que podem acontecer em qualquer companhia, mas que dependendo da frequência e do profissionalismo (ou da falta dele) podem arrasar ainda mais uma imagem. Na véspera de regressar a Angola, fui avisado por telefone que a partida seria adiada das 11 para as 19, mas que era conveniente estar no aeroporto quatro horas antes. Como a chamada não tinha identificação e já ouvi muitos rumores sobre gasosas para passageiros de última hora ocuparem o lugar de passageiros confirmados, pedi o nome à funcionária, recebendo como resposta o som inequívoco de um telefone desligado na cara. Lá confirmei no site da ANA que não era peta, mas no dia da viagem apanhei uma seca até às 21, hora a que o avião realmente partiu. Quando soube que, em certa viagem, um compatriota esteve 4 horas à espera que fosse resolvida uma fuga de gasolina, sem que os passageiros fossem retirados do avião, concluí que uma coisa é falta de profissionalismo, outra é irresponsabilidade, e decidi que a experiência TAAG / SAA, da minha parte, não será repetida, e se não aconteceu nenhum acidente até agora foi porque não calhou. Por alguma razão o preço é inferior ao da TAP. Quem quer qualidade, paga-a.

Mas, para baralhar esta conclusão de que o preço é directamente proporcional à qualidade, semanas depois deparámo-nos com uma nova manchete da imprensa nacional, que espero que estimule a vossa galhofa:

«O coordenador adjunto da comissão de refundação da TAAG, Rui Carreira, anunciou, durante uma conferência de imprensa, que a companhia de bandeira vai incrementar em 50 por cento o preço dos bilhetes de passagem dos vôos nacionais e internacionais, no quadro das medidas de relançamento da transportadora e que visa retirá-la da situação deficitária em que se encontra.

[...]

O bilhete para a classe económica de ida e volta para Lisboa, que custa actualmente mil 408 dólares, irá subir para dois mil 112 dólares.

[...]

A comissão concluiu que a TAAG praticava tarifas mais baratas em comparação com outras companhias concorrentes (rotas internacionais) que fazem o mesmo trajecto. Rui Carreira esclareceu, no entanto, que isto será feito no quadro de uma gestão dinâmica.

“Este aumento não será feito de forma linear, nalguns casos os bilhetes poderão ser mais baratos pois, quanto mais próximo da data da viagem for comprado mais caro será o bilhete”, frisou o piloto que aconselha a uma planificação atempada das viagens.
»

A TAP agradece. A sério! A transportadora portuguesa tem viagens a partir de 1485 €, 2000 USD. E depois da viagem estar paga não é preciso telefonar para não perdermos o lugar. E há sempre água e sabão nas casas-de-banho. E as cadeiras não estão desengonçadas. E o sistema de video funciona. E dão-nos a ementa no início da viagem.

Mas continuaram a ler?

«Esta é só uma das muitas medidas que a companhia vai implementar para concretizar o lema “TAAG, um passado que nos orgulha, um futuro brilhante”.»

Perdão?! Um passado quê?! Então e os manuais, e a black-list? Ai, a minha barriga...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quem criou o mundo...


Depois de anos a ser referida nos telejornais por causa da guerra, Angola tem sido notícia por motivos mais alegres: em Setembro, as eleições; a semana passada, a visita do PR angolano a Portugal (que permitiu realçar o crescimento exponencial das relações económicas entre os dois países); daqui a 10 meses, o campeonato africano de futebol. Mas, esta semana, o tema de todas as conversas é a visita de Bento XVI.

Compreendo o entusiasmo dos católicos angolanos, até porque me lembro de ver o mesmo em relação a João Paulo II quando visitou Lisboa e Fátima há uns anos. Confesso que tenho algum cepticismo quanto aos frutos destas visitas. O cortejo papal não irá atravessar pelos buracos, esgotos a céu aberto e miséria do Prenda; mesmo que passe ao lado do São Paulo, provavelmente Ratzinger, dentro do papamóvel, não irá presenciar nenhum assalto; mesmo que veja algo que lhe desagrade, não sei se cometerá a "indelicadeza" de fazer reparos em voz alta; e mesmo que os faça com toda a diplomacia, duvido que alguma coisa mude no dia seguinte à sua partida. Serão apenas 4 dias para os fieis mais devotos recordarem, e para os menos praticantes ficarem um pouco mais orgulhosos da sua pátria. Os mais iludidos, porventura, ficarão ainda mais certos que essa pátria está no centro do mundo...

Tenho só a agradecer ao Governo Angolano a tolerância de ponto decretada para esta sexta-feira para todos os trabalhadores, inclusive os das empresas privadas. Com o tráfego aéreo condicionado em Luanda entre as 7 e as 12, e a histeria colectiva em torno da chegada do Papa, prevejo que o Inferno rodoviário quebre todos os recordes de que há memória e exceda as piores expectativas. Querem que vos diga quem é não vai pôr o traseiro no carro até que a confusão passe?

Para terminar e descontrair, proponho um jogo, um cruzamento de Trivial Porsuit com Totobola. Usemos o 1 para Sim, o 2 para Não e o X para Nim (usem as apostas múltiplas que quiserem). Cá vão as "Perguntas para Queijinho":
1 - Será que no Aeroporto vai ter vários funcionários desconfiados a inspeccionar-lhe o passaporte e a querer meter-lhe a mala no raio X, na esperança de sacar uma gasosa?
2 - Será que durante aquelas horas em que toda a gente no 4 de Fevereiro vai estar em alvoroço, os guardas da porta de saída vão fingir que não vêem quando os desocupados profissionais tentam entrar para sacar uns dólares a quem acaba de chegar?
3 - E depois de ter deixado o Aeroporto, voltará tudo ao normal?
4 - Será que vai passar aqui na rua? Então cuidado com o buraco que as chuvas de segunda-feira abriram na estrada arranjadinha há meio ano (espectáculo, ainda aguentou bastante!). Ah, não deve passar, nesta rua não pintaram as faixas na estrada nem as fachadas das casas...
5 - Será que Ratzinger vai comer funge na 6ª, no sábado, no domingo e na 2ª, como grande parte dos angolanos, uns porque gostam e outros por falta de alternativa?
6 - E acompanhará com Cuca?
7 - Se precisar de cuidados médicos, será que a ambulância vai circular mais devagar do que um peão, porque nenhum automobilista facilita meio metro para ela passar?
8 - E, nas urgências, estará uma boa meia-dúzia de horas à espera?
9 - Será que o papamobile vai ser mandado encostar numa operação stop?
10 - Se chover, será que Ratzinger se vai molhar até aos joelhos ao sair do carro?
11 - Será que foram distribuídos mais convites para os eventos destes dias do que a capacidade dos locais que os vão acolher?
12 - Será que o critério de entrada vai ser o de quem é mais VIP ou tem a carteira mais gorda?
13 - Teria Ratzinger a coragem de pôr o pé no mar ao largo da Ilha de Luanda? (eu não teria, pôrra!)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Meia pizza salpicada


Lembro-me de, na escola primária, a professora falar nas Quatro Estações. Lembro-me do tempo em a divisão do ano em quatro partes "fixas" fazia sentido: de Março a Junho, a temperatura amena permitia apreciar os campos que se inundavam de flores e passarinhos; de Junho a Setembro, os dias longos, quentes e de céu azul convidavam a umas agradáveis idas à praia; de Setembro a Dezembro, as nuvens baixavam a temperatura e o vento arrancava as folhas às árvores; e de então até à chegada da Primavera, os dias eram curtos e dominados pelo frio e pela chuva ou neve. Hoje, as datas habituais destes fenómenos parecem bastantes menos estanques.

Antes de vir para Angola, disseram-me que aqui havia apenas duas Estações: a quente e húmida, mais ou menos de Setembro a Março, e a "fria" e seca, no resto do ano. Fria, para o termostato do mwangolé, que sente necessidade de ir buscar as malhas ao armário para se proteger dos 17º da brisa nocturna...

Não nos causou surpresa mal termos visto chuva durante os meses da época seca, mas estranhámos quando, de Outubro em diante, o panorama se manteve. Sentíamos a humidade no ar e, principalmente, nos nossos corpos, poucos minutos depois de sairmos do banho; ouvíamos a rádio falar de inundações nalgumas províncias, notávamos mais mosquitos a invadir-nos a casa, mas a chuva tropical teimava em não aparecer na capital. Inocentemente, comentámos na empresa que faziam falta uns aguaceiros valentes para varrer o pó das ruas, mas para os "nossos meninos", chuva é sinónimo de inundações e de trânsito (ainda) mais complicado.

Esta sexta-feira, as nuvens acordaram com cara de quem ia chorar a qualquer momento. Verteram umas lágrimas de curta duração pela manhã e, envergonhadas, abriram caminho ao sol e ao céu azul. Tudo ficou como nos outros dias, portanto.

Mas, à noite, já depois da carruagem da Cinderela se transformar em abóbora, notei algo de estranho no ar. Não se houviam os sons que nos martelam a cabeça quando estamos em casa - os alarmes dos carros, accionados pelos escapes livres das motas e dos quads dos meninos ricos. Já estaria toda a gente na ilha?

O silêncio foi interrompido por um som familiar. As nuvens tinham voltado sorrateiramente e desabaram num pranto. Hipnotizaram-nos por alguns minutos, tais eram as saudades de estar debaixo de telha a ver chover lá fora. Não foi preciso muito tempo para se formar um tapete de água na estrada, que os carros rompiam como se tivessem uma quilha. Também não foi preciso muito para começar a entrar água no nosso quarto através da janela...

De manhã, na nossa rua, mal se percebia que tinha chovido. Já noutras partes de Luanda, as águas arrastaram a terra das bermas para a estrada, contrariando as nossas expectativas de as ver mais limpas. Apenas as árvores recuperaram o verde vivo que o pó escondera durante meses.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Hoje aprendi que...


... também se podem fazer carrinhos a partir de pacotes de leite.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O som do metal de um revólver no vidro


Ontem, ao fim do expediente, o Afonso telefonou a avisar que uma das ruas do Prenda estava novamente cortada por causa das obras. É uma cena recorrente, ao estilo de qualquer novela da TVI, em que nada de novo ou dignificante acontece: em cada repetição, aguardamos com ansiedade que seja finalmente aplicado um sólido tapete de alcatrão sobre a “superfície lunar”, mas quando o trânsito é restabelecido encontramos um tapete de cascalho e terra, que os esgotos que escorrem pelo bairro se encarregam de corroer novamente.

Trata-se da rua que liga a empresa ao centro da cidade, isto é, à nossa casa e a qualquer cliente que tenhamos de visitar durante o expediente. Também já houve uma ocasião em que cortaram a rua da nossa empresa a escassas centenas de metros desta, o que nos obrigou a dar corda aos sapatos. Dada a zona, e o episódio ocorrido ao cair do pano deste 10 de Fevereiro, esse exercício banal não se voltará a repetir.

Estivemos até depois das oito da noite a planear estratégias de trabalho com a nossa colega I., e acreditámos que àquela hora a tal rua já estaria aberta ao trânsito. Deviamos ter percebido, pela posição das barreiras, que tinham sido desviadas pelos moradores da rua e não totalmente retiradas pelos trabalhadores. O engarrafamento monstruoso, alguns metros adiante, não deixava grandes esperanças, e quando vimos parte do pelotão a desviar para uma estrada transversal, decidimos seguir quem conhecia os arredores, certos que tinham o mesmo destino que nós. Até determinado ponto do trajecto, tudo correu bem, mas já no Bairro do Cassenda, o trânsito voltou a parar.

Subitamente, um gandulo abordou a janela do pendura. Por uma fracção de segundo pareceu-me um vendedor ou um crava, mas as batidas no vidro e a ordem para abrir a porta soavam-me invasivas e agressivas demais. Quando vi o amigo dele, do meu lado, reforçando a ordem para abrir o carro com um revólver na mão, vi o caso mal parado. Resistir era um risco, mas abrir a porta seria baixar excessivamente a guarda, por isso apenas pedi à Paula para me passar imediatamente o dinheiro que tivéssemos na carteira, esperando que isso salvasse os passaportes (já era tempo de termos tratado da cópia autenticada). O som do metal de um revólver no vidro esquerdo, e de uma garrafa de cerveja no vidro direito, em coro com o baque oco dos puxadores das portas, fizeram parecer horas aqueles escassos segundos até as notas aparecerem. Abri o vidro e entreguei o maço de kwanzas ao que tinha a arma.

- Abre, c******! – insistiu.
- É todo o dinheiro que temos, a sério.
- Então dá o telemóvel.

Nem pestanejei. Deitei a mão ao bolso e entreguei-lhe o telemóvel da empresa (incluindo o cartão com os contactos de clientes) com tamanha rapidez que ele não pôs em causa que lhe dera tudo o que tinhamos de valor. Remédio santo, abandonaram o nosso carro, e não posso dizer que se tenham afastado demasiado depressa para o meu gosto.

O pior já tinha passado, mas a sensação de fragilidade mantinha-se. E se voltassem? E se, até ao fim daquele engarrafamento, outro grupo nos abordasse? Decidi fazer inversão de marcha e regressar ao Prenda, para vistas mais conhecidas. Nos primeiros minutos, a ansiedade de lá chegar era tanta que quase me apetecia levar tudo à frente. O medo já não era tão intenso, mas ainda não desaparecera completamente.

Ao fim de meia-hora já consegui gozar com a situação: como detesto a Nokia, de certa forma não tinha sido assaltado; podia dizer-se que tinha pago uns kwanzas a um brother para me livrar daquele trambolho. O prolongamento da comédia deu-se esta manhã, quando o M., o homem da logística da empresa, decidiu telefonar para o meu "ex-telemóvel "para falar com o ladrão, só para o sondar:

- Temos de nos encontrar, você tem de me ajudar, eu preciso do telemóvel.
- Ya, quanto é que você quer pagá?
- Não, você é que tem de dizer o preço que quer.
- Cem dólares...

Revendo a situação, encaramo-la como se de uma lição se tratasse (tal como um recém-encartado que só modera o seu excesso de confiança depois de enfiar o carro na traseira do vizinho da frente): não voltar a sair do trabalho àquelas horas absurdas e não voltar a frequentar certos trajectos, independentemente da hora. Felizmente o preço do banho de consciência ficou-se pelos danos materiais.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Viabilidade, produtividade, mentalidade, mobilidade, e outras coisas que vêm com a idade


Angola é, a par com a China e com a Índia, um dos países com maior crescimento económico. Mas não se pode dizer que os efeitos da crise global não são notados por cá: pela primeira vez na última meia dúzia de anos, aquela taxa vai ficar abaixo da barreira psicológica dos... 10%. Uma contrariedade, portanto...

No entanto, frequentemente dou por mim a pensar que este crescimento podia ser ainda maior se a produtividade também o fosse. O que, para usar uma expressão tipicamente angolana, «é complicaaado». Não é só o porto entupido de contentores, que atrasa as importações de equipamentos essenciais ao funcionamento das empresas. Não é só a lentidão natural dos processos, provocada pela burocracia da administração pública, pela inércia colectiva, e pela sede de gasosas. Esses talvez sejam os factores mais visíveis e mais comentados pelos portugueses que passam aqui uma temporada. Mas há outros, que até pode ser que tenham menos peso, mas que também ajudam... a atrapalhar.

Ainda hoje não engoli que um país exportador de petróleo, por só ter uma refinaria, seja importador dos seus derivados. Pior, a estes, ao contrário de quase tudo o resto, a lei da oferta e da procura não se aplica: o preço é absurdamente baixo, apesar dos postos de abastecimento estarem sempre a abarrotar. Ora, a meia-horinha da praxe perdida na fila está garantida; quem não o fizer ao fim-de-semana, durante os dias úteis vai chegar atrasado ao emprego, sem qualquer remorso.

Algumas funcionalidades modernas, a que nos habituámos há mais de uma década, ainda não chegaram cá. Enquanto em Portugal se pode fazer o pagamento de serviços nas caixas multibanco, na internet, e a partir de agora até nas lojas com TPA, em Angola o pagamento da água obriga a ir à EPAL, o da electricidade à EDEL, o do telefone à Angola Telecom, e o da televisão ao banco, correndo o risco de o sistema informático estar em baixo ou de se terem esgotados os impressos. Felizmente a empresa tem um funcionário que, um dia por mês, trata de todos estes assuntos, mas e o resto dos angolanos, vai fazê-lo quando?

A mobilidade – ou a falta dela –, mais do que um simples aborrecimento, é um entrave. E já o é apenas pelo facto de não haver transportes públicos decentes, de muita gente usar o carro próprio, e das ruas não estarem preparadas para tanto trânsito. A recolha de lixo em hora de ponta dá uma pequena ajuda, mas a cereja no topo do bolo são os cortes de estrada para repavimentação sem aviso prévio, que desviam o trânsito para as ruas circundantes. No caso da zona do Prenda/Cassenda, os desvios são feitos para dentro do musseque, e os cortes de estrada são para tapar os buracos com baldes de entulho. Vale a pena, portanto. Ou então não...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fora de Luanda III: Massangano


Semanas depois dos passeios da Cabala e da Muxima, continuámos em frente no entroncamento de Catete, tomando as indicações para o Dondo, onde o Afonso já tinha ido a trabalho. As fotos que ele mostrou deixam antever que esta cidade merece uma visita de várias horas, o que obrigará a madrugar na partida de Luanda, até porque a distância é maior e ainda há troços a ser pavimentados pelos chineses. Pavimentados, mas pouco, com uma camada de alcatrão demasiado sumítica, que pouco depois de aplicada começa a desaparecer. Qualquer semelhança entre uma obra chinesa e uma bugiganga qualquer comprada numa loja deles não é uma mera coincidência. Ainda há quem não tenha percebido que o demasiado barato não pode ser bom.

Mas o destino deste passeio era outro, seguindo a sugestão do Afonso, que tinha encomendado um carro a um menino de Massangano, e que pretendia pagar com um conjunto de lápis de cor e um livro para colorir. Massangano é mais uma povoação nascida nas margens do Kwanza. Não existe placa, pelo que o primeiro ponto de referência para deixar a estrada principal é um par de chaimites abandonadas após o fim da guerra.

Numa curva da estrada secundária, somos brindados com uma varanda sobre o Kwanza, capaz de nos arrancar comentários com muitos pontos de exclamação.



A 50 metros, duas mães esmagavam amendoim à sombra de um embondeiro. Tarefa demorada? Pois, «a pedra é pequena».

Adiante, outro desvio da estrada é assinalado por uma série de acácias que, em Dezembro, se decoram de vermelho para assinalar o Natal.




Chegámos. Vê-se menos gente nas ruas do que na Cabala, ponto de paragem por causa da travessia do Kwanza, e do que na Muxima, capital religiosa. Sente-se o efeito psicológico de estrada sem saída, que acaba no rio e deixa os habitantes da povoação longe da "civilização." Mas a presença de mais elementos herdados do tempo colonial, e o facto de preencherem uma área considerável, leva-nos a crer que esta terra já conheceu outra grandeza.






Encontrar um adulto não é imediato, mas não faltam crianças. As meninas treinavam para o que as espera quando tiverem um marido, o que há-de acontecer poucos anos depois de se tornarem férteis: dentro de um pequeno tacho, o peixe fisgado no Kwanza ganhava a cor do óleo de palma e o calor da fogueira improvisada. Ao lado, noutro tacho, coziam arroz com feijão.



Meninas e meninos esqueceram as brincadeiras quando viram chegar três brancos com máquinas fotográficas. Em poucos minutos perderam a timidez e, quando um deles percebeu que as máquinas permitem ver as fotografias depois de tiradas, ficaram eléctricos, querendo ver como ficavam, «este aqui sou eu». As mais velhas, de 11 e 12 anos, já com a vaidade a despontar, faziam pose e enxotavam (em vão) a concorrência, exigindo ser o centro das atenções.



Fiz-lhes a vontade por uns tempos. Não ficaram saciados, mas acabaram por não ter remédio senão acompanhar-nos no passeio pela povoação. Um dos rapazitos, de 7 anos, deu-me a mão no caminho. Dei por mim a pensar se o rapazito teria falta de uma figura paterna e, à pergunta do Afonso se preferimos a Muxima ou Massangano, naquele momento não consegui responder. Em poucos minutos o sacaninha desfez-me as dúvidas: ainda que timidamente, chamou-me cota e fez aquele gesto universal de roçar o polegar pelos dois primeiros dedos, como que a cravar trocos. Ora, eu lido muito bem com o meu cabelo grisalho precoce, e não foi o adjectivo que me deixou piurso, por isso fiz-me desentendido. Em breve voltou à carga: «cota, dá um dinheiro». Olha-me o pingente, hein! Para que é que ele queria o dinheiro, ele já saberá fazer contas, sequer? Ainda se pedisse uma bola (uma das meninas, à despedida, pediu uma boneca)...

Foi o único, porém, e a Paula trouxe histórias mais bonitas para contar, envolvendo o menino e a menina mais novos do grupo, mais cativados por ela do que pela máquina fotográfica. Ele, que com 4 anos possivelmente nunca tinha visto um branco, passava-lhe a mãozita pelo rosto como a descobrir algo completamente novo:

- Os láábios... o nariiiz... É mulata?
- Não... Sou branca.
- Ah...

Mas com a Mónica (a pequenita de cuecas cor-de-rosa e umbigo inchado que na foto abaixo ignora o fotógrafo e olha admirada para a “madrinha”) houve um amor correspondido à primeira vista.



No passeio a pé pela cidade, agarrou-se à saia da Paula, que lhe deu a mão. Sentada à porta da igreja, encostou a cabecita a ela. E, depois da forasteira ter perguntado o nome de toda a gente, foi a única que quis saber o nome dela:

- Como chama?
- Eu sou a Paula.
- De quê?
- Paula F[...]. E tu, és a Mónica de quê?
- Eu sou a Mónica da Ju'iana.

O diálogo era surpreendente. Uma criança pequena, numa povoação esquecida a dezenas de quilómetros da povoação vizinha, com tamanha noção de identidade e de família?! Este episódio deixou um jovem casal português a bater um bocadito mal durante dois dias e duas noites mal dormidas, durante os quais "sonhámos" em recompensar aquela doçura e aquela sensibilidade com a oportunidade de conhecer o mundo fora de Massangano.. Então e... se a malta fosse lá e “roubasse” aquela menina? Hum? Bora? Vamos lá e trazemo-la connosco, boa? E os pais? Ah, os pais querem lá saber da filha, só querem saber do dote que vão receber por ela.

Sosseguem: sabemos que mesmo que fosse aceite na sociedade Massanganense, seria ilegal no resto do mundo; era apenas um devaneio. Além de ser uma fantasia irrealizável, trazê-la para a “civilização” seria de facto uma recompensa? Ou um castigo? Então e oportunidade perdida de brincar com os pés descalços na rua sem cortar os pés num caco de uma garrafa? E quando crescesse e confrontasse os objectivos estabelecido na fasquia “ocidental” com as metas que as pessoas normais conseguem realmente ultrapassar? Naquela povoação, ela é apenas uma menina que aos 14-15 anos será entregue para casamento, aos 18 provavelmente já terá dois filhos, e cujas contrariedades na vida serão o tamanho da pedra com que esmaga o amendoim. Na Europa, enriquecer-se-ia com conhecimento, desejaria tudo o que os outros desejam (o príncipe encantado, uma carreira, uma casa, os gadgets da moda) e sofreria com tudo o que não conseguisse obter. O que pensarão as crianças africanas que conquistam o coração dos ocidentais, quando são levadas para os países deles e crescem segundo as regras deles? Ficar-lhes-ão gratas, ou com raiva deles por lhes terem roubado um futuro que pode não ter aspirações mas também não terá desilusões?

Ainda não voltámos lá, e não sabemos se alguma vez o faremos. Não queremos correr o risco de ficar a "bater mal" de novo.

Como estará a Mónica? O que será que recebeu neste Natal?

sábado, 24 de janeiro de 2009

O que pensam os angolanos dos portugueses?


A vida tem-me ensinado que nada é totalmente preto ou branco - a escolha de palavras não é inocente -, tudo se distribui de forma mais ou menos uniforme pelos tons mistos.

Temos a sorte de trabalhar com aquelas que são, provavelmente, das melhores pessoas de Angola. Vá-se lá saber porquê, a nossa chefe angolana já tem atirado o barro à parede para ficarmos mais do que os três anos combinados, a gerente angolana não quer falar nem pensar que «já só faltam dois anos e meio, até menos...», o nosso técnico (e, quem sabe, futuro gestor de projecto) angolano quer que eu e a Paula nos casemos em Angola segundo as tradições de cá, e a nossa técnica angolana quer que a Paula vá entrançar o cabelo com ela. Se calhar até sei porquê. Porque pessoas com abertura de espírito reconhecem que Angola necessita de acolher estrangeiros e receber fomação técnica destes. Claro que um país com dinheiro atrai oportunistas, mas as pessoas dotadas de inteligência são capazes de distinguir o trigo do joio. São pessoas com espírito crítico suficiente para, por exemplo, se queixarem dos exemplos de falta de civismo dos seus concidadãos, para admitirem que a Angola herdada do tempo colonial é mais "arrumada" do que a Angola pós-independência. Eles próprios, que conhecem o país desde que nasceram, o dizem. E certamente não são os únicos lúcidos e exigentes em relação ao seu país.






Depois, há os outros. Os que emprenharam pelos ouvidos e, como não têm capacidade para raciocinar e questionar, repetem por aí que «Angola tem petróleo e diamantes, logo não precisa dos estrangeiros para nada». São de tal forma nacionalistas, que rejeitam com arrogância uma crítica vinda de um estrangeiro, consideram que o país deles é o melhor do mundo, e atribuem as culpas das pequenas imperfeições aos estrangeiros, sobretudo ao «sacana do colono que levou tudo quando se foi embora». Abrem uma excepção para os operários chineses; esse até dão jeito para trabalharem nas obras, que dá muito trabalho. No fundo são iguais a uns certos meninos de extrema-direita, mas em versão mwangolé. Bem, tenho novidades para vocês: nem Portugal nem Angola são os melhores países do mundo. A culpa é dos interesses económicos, do políticos, e nalguns aspectos é do próprio povo.

Ora, desde há uns dias um destes exemplares tem passado pelo blog do Afonso e tem-no brindado com estas pérolas:

«Estás a começar a precisar mesmo é de uma lei 24/00.
Falas de mais num país que não é teu.Cospes na sopa que te tira a fome.Fala do teu portugalsito porque corrupção não te falta por lá.trabalha porque é para isso que és pago.
trago-te debaixo de olho.Cova da Moura»

«Vais mais depressa do que julgas porque te trago debaixo de olho.Nem os dardos te poupam mas deixa estar que não estás só.Já te arranjei boa companhia.Andam aí uns blogs de gente da tua laia que vao sentir o zunir nas orelhas e berrida pela certa que os pulas não gostam de maka como já aconteceu com os brancos tugas noutras horas.E foi ve-los bazar num bater de tacão fino.»

«Tenho andado a ver-te mesmo e a verdade mesmo é que já começaste a ser menos cabrão com os angolanos.Nada melhor que vos amaçar mesmo.Os pulas tugas metem logo o rabo nas pernas e ala que parar é Lisboa.
Mas há mais blogs do tipo dos teus.
vou lá zunir tambem!
juizinbho menininho!»


E hoje, quer no Aerograma, quer no Muamba, recebemos o seguinte comentário:

«Vão embora mesmo seus pulas.Não vão a bemn tem de ir mesmo a mal, ganham o kumbu aqui senão morriam de fome e ainda falam mal de Angola.Estamos mesmo a ser vigilantes nos vossos blogs.PQP»

Que comentários é que isto me suscita? Primeiro, é fácil de ver que alguém sem problemas de leitura teria percebido que nos meus posts tanto critico Angola, como lhe aponto méritos. Segundo, alguém com um mínimo de inteligência acredita que se feche um blog e principalmente que se abandone um projecto de TRABALHO (sabes o que isso é?) da dimensão daquele em que nos envolvemos, por causa de umas ameaças anónimas escritas atrás de um monitor?

Todos os dias me orgulho daquilo que temos ajudado a construir aqui e estou certo que, em menos de um ano, já contribuimos mais para este país do que muitos destes inflamados farão em toda a sua vida. Como já percebi que o texto é repetitivo e pobre em argumentos, próprio de quem tem um raciocínio limitado, não vou voltar permitir a entrada deste SPAM aqui no meu estaminé. Sim, os pulas não gostam de maka. Era suposto gostar da maka de Luanda?

Obviamente terei uma ou mais respostas tão cretinas como os comentários anteriores, à(s) qual (is) não poderei responder posteriormente porque o autor não fornece o e-mail e eu não o considero digno de um novo post. Por isso, deixo-lhe antecipadamente uma mensagem:

Gostas assim tanto do teu país?

ENTÃO DESENCOSTA-TE DA PAREDE E TRABALHA PARA O MELHORAR!