sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Contrastes


Sempre que vamos de férias à "santa terrinha" é inevitável fazermos comparações entre a realidade que enfrentamos na maior parte dos dias, e a que reencontramos e já quase tinhamos esquecido.

> Quente e frio
Para começar, não posso deixar de "falar" no tempo e no surto de gripe que assolou Portugal precisamente durante a nossa visita. Volta-e-meia comentamos que já passaram "n" meses e ainda não estamos palúdicos (oxalá possamos continuar a repetir a ladaínha à medida que a contagem prossegue), mas não precisámos de duas semanas inteiras de regresso a casa para ficarmos sob a influência do Influenza, com as férias transformadas em clausura. Isn't it ironic? E - opinião particular, não partilhada pela Paula e pelo Afonso - abençoada hora em que deixámos para trás as mínimas de 1º em Lisboa e fomos recebidos pelos húmidos 26-32º de Luanda. Frio só tem piada se der para ver neve.

> Crash Tests (are only for those f…) Dummies
Outro aspecto em que as duas capitais têm diferenças bem vincadas é o do trânsito. É um descanso, por duas semanas, não termos de ziguezaguear em 1ª a fugir dos buracos (quando se consegue, porque há sítios em que estes ocupam toda a largura da via), não vermos toda e qualquer nesga de dois metros ser transformada em fila adicional por um conjunto de chicos-espertos, e não demorar meia-hora hora para fazer três quilómetros. Mas, apesar de Luanda nos envelhecer - para não dizer que nos dá cabo do juízo - honra lhe seja feita: a sinistralidade grave faz Lisboa roer-se de inveja. E porquê? Porque os portugueses, ao volante, são uns stressadinhos da trampa. Se soubessem o que é demorar uma eternidade a chegar ao destino, perceberiam como são privilegiados e não fariam rally à chuva, a cheirar o pacote uns aos outros. Se não se ouve nas rádios de Luanda, em plena hora de ponta, «trânsito cortado na 2ª Circular devido a um acidente grave», não é por não existir a 2ª Circular ou por as informações de trânsito serem raras; é porque mesmo nas vias principais a velocidade nunca chega a ser suficiente para colisões muito violentas. Os acidentes mais aparatosos são quedas em valas nas bermas e colisões contra os carros estacionados (falta de unhas e excesso de Cucas, Ekas e Nokais nas noites de fim-de-semana), mas as proporções são bem mais suaves do que em Portugal.

> O ataque da marabunta às superfícies comerciais
Logo no segundo dia após o regresso a Paula ficou em casa, ainda com as energias em baixo e a precisar de comida de dieta. Quis o acaso que também se tivessem acabado as reservas de água filtrada, o que a levou ao supermercado do bairro. O drama, o horror, a tragédia: não havia pão, não havia NADA na zona dos legumes frescos a não ser batatas, e água só em garrafas de 33 cl. Ao fim do dia de trabalho, passei então pelo Jumbo que, relembro, é a maior superfície grossista de Luanda. O drama, o horror, a tragédia: não havia pão, não havia nada de jeito na zona dos legumes frescos a não ser batatas, cebolas e repolhos (aha!, temos aqui uma nuance), e água só em garrafas de 33 cl. Bem, aí em Portugal, entre o Natal e o Fim-de-ano, foram filas em direcção aos centros comerciais para enfeirar uns trapitos, não é? A crise é uma óptima desculpa para a noite de Natal, mas que diabo, os modelitos da estação são imperdíveis. Aqui esgotaram os comes e os bebes. Cerveja incluída, claro! Mas agora já sabemos que em Dezembro, antes da partida, temos de adoptar a táctica do açambarcamento.

2 comentários:

Anónimo disse...

É o stress urbano português!

Folgo em ver que voltaste às escritas...

Anónimo disse...

Vão embora mesmo seus pulas.Não vão a bemn tem de ir mesmo a mal, ganham o kumbu aqui senão morriam de fome e ainda falam mal de Angola.Estamos mesmo a ser vigilantes nos vossos blogs.PQP